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O presidente da Câmara de Faro questionou hoje o ministro do Ambiente sobre os possíveis efeitos da anunciada construção de uma ilha artificial frente ao empreendimento turístico de Vale do Lobo na erosão costeira no concelho. TEMAS: Ambiente Numa carta a que a agência Lusa teve acesso, José Apolinário (PS) sustenta que a construção da ilha e do túnel que lhe dá acesso poderia acentuar a erosão da costa do seu município, entre o Ancão e a ilha de Faro, e pergunta a Nunes Correia qual a sua posição sobre o assunto.
O autarca invoca uma notícia do início do ano, segundo a qual o empreendimento foi vendido a uma nova sociedade, em que a Caixa Geral de Depósitos conta com uma quota de 25 por cento.
Essa sociedade, sublinha, declarou expressamente "que o projecto da ilha artificial a construir ao largo de Vale de Lobo iria avançar".
Na missiva enviada para o gabinete de Francisco Nunes Correia, José Apolinário considera que a manifestação do propósito é extemporânea, "uma vez que não estão feitos os estudos base que permitam fazer essa afirmação com toda a segurança".
Recordando que a construção dos esporões e do porto de pesca em Quarteira e da Marina de Vilamoura contribuiu quase em exclusivo para a tendência erosiva e o recuo da linha de costa entre Quarteira e a Ria Formosa, o edil observa que, mais recentemente, o fenómeno contou com uma segunda "vaga" erosiva, que se deveu à construção dos molhes de Vilamoura.
"Em resultado disto, teve de ser feito, a expensas do Estado, uma obra de enchimento de praia na zona de Vale de Lobo, em finais dos anos 90", lembra Apolinário, sublinhando que o mais recente reforço desse enchimento, feito pelo próprio empreendimento, prova que o transporte de areias no sentido poente/nascente "é permanente e significativo".
Garantindo que desconhece a existência de quaisquer estudos que suportem a opção pela ilha, o autarca afirma que se podem levantar "todo o tipo de dúvidas" sobre o impacto que a construção poderá ter a nascente, do Ancão à ilha de Faro.
"Muito concretamente, julga-se pertinente questionar o facto de a dimensão da ilha, só por si, poder causar uma alteração de correntes e consequentemente um impacte no trânsito sedimentar [transporte de areias]", adianta o texto da carta.
Para mais, critica, "uma das ligações a terra será feita através de um túnel subaquático", e "nada está garantido sobre a possibilidade de esse túnel funcionar como esporão submerso, levando à acumulação de sedimentos, promovendo um assoreamento entre a 'ilha' e a costa".
A ilha e o túnel "teriam um forte impacte na estabilidade dos areais a nascente, podendo reflectir-se num aumento da erosão, uma vez que seria interrompida ou reduzida a reposição natural de sedimentos, o que poderia levar ao enfraquecimento do cordão de areia que constitui a península do Ancão e que se prolonga até à ilha de Faro", acentua o documento.
Reiterando a sua preocupação face às notícias publicadas, o presidente da Câmara de Faro conclui que a construção da ilha e do túnel poderão ter impactos directos em parcelas do território do seu concelho.
Solicita que Nunes Correia o informe se deu entrada no Ministério do Ambiente algum pedido sobre o assunto, qual a fase de discussão em que o projecto se encontra, qual o tipo de estudos base apresentados e qual a posição do próprio Ministério até ao momento.
O projecto de construir uma ilha artificial frente ao "resort" algarvio Vale do Lobo é um investimento de 750 milhões de euros que deverá estar concluído até 2020.
A ilha terá hotéis, moradias e espaços de lazer, nomeadamente um restaurante debaixo de água, estando previsto que a ligação à praça central de Vale do Lobo seja feita através de teleférico e de um túnel de vidro construído no mar.
1 de Fevereiro de 2007 | 09:35
agência lusa
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