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«Nautilus», a projectada ilha de Vale do Lobo
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O ministro do Ambiente deu hoje parecer negativo ao projecto de construção de uma ilha artificial ao largo de Vale do Lobo, alegando que esta iria agravar o processo de erosão costeira no Algarve.
Em conferência de imprensa, Nunes Correia explicou que os pareceres do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, pedidos pelo ministério, concluem que a construção de uma ilha com 100 hectares, embora protegesse a zona de Vale do Lobo, "teria consequências muito negativas" em toda a Ria Formosa.
"Com base nesta avaliação preliminar, a nossa atitude é contrária ao prosseguimento do projecto e já comunicámos isso hoje aos promotores. Para o Ministério do Ambiente, a questão está arrumada", afirmou.
Em Setembro do ano passado, a empresa Vale do Lobo S.A.
apresentou ao Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional (MAOTDR) o projecto Nautilus Island, que previa a construção de uma ilha artificial a 500 metros da costa, onde seriam edificados 700 a 1.000 apartamentos e moradias, um campo de golfe e um hotel subaquático.
Na altura, os promotores defenderam que a ilha artificial permitiria travar o processo de erosão costeira do Algarve, tendo ficado acordado que o Ministério "procederia a uma avaliação preliminar da potencial viabilidade" do projecto, antes de a empresa apresentar formalmente o processo.
"O promotor queria um sinal da Administração antes de avançar com alguns investimentos. Nós analisámos os pareceres e não vemos possibilidade de êxito no projecto. Não é legalmente um chumbo, porque o processo não chegou a entrar, mas é um chumbo por antecipação", adiantou o ministro.
De acordo com os pareceres pedidos pelo MAOTDR, a ilha poderia ter um efeito positivo na zona do Vale do Lobo, protegendo-a da erosão, mas iria afectar negativamente as praias adjacentes, a nascente e a poente, "com consequências que poderiam mesmo chegar a Espanha".
Por outro lado, explicou Nunes Correia, o projecto "expunha à agressividade do mar um conjunto muito grande de construções e isso seria um factor de risco considerável" para a população.
Além destas duas questões, o ministro adiantou que a construção da ilha artificial "constituiria uma perturbação muito significativa do ordenamento costeiro e levantaria problemas jurídicos, já que seria uma iniciativa privada no mar, que é público".
No final de Janeiro, o presidente da Câmara Municipal de Faro, José Apolinário, escreveu ao ministro questionando-o sobre os possíveis efeitos da ilha na erosão costeira do concelho.
Na carta, o autarca sustentou que a construção da ilha artificial e do túnel subaquático que a ligaria ao empreendimento turístico de Vale do Lobo iria acentuar a erosão da costa entre o Ancão e a ilha de Faro.
"Muito concretamente, julga-se pertinente questionar o facto de a dimensão da ilha, só por si, poder causar uma alteração de correntes e, consequentemente, um impacto no trânsito sedimentar [transporte de areias]", adiantava José Apolinário.
13 de Fevereiro de 2007 | 21:05
agência lusa
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