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A Madeira é o "caso mais preocupante" da distorção provocada pelos eleitores-fantasma, onde um em cada cinco eleitores tem inscrição indevida, de acordo com um estudo de dois sociólogos portugueses.
O estudo, de José António Bourdian e Luís Humberto Teixeira, mestrandos do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, resulta do cruzamento dados de 2005 do Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE), Instituto Nacional de Estatística (INE) e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e um inquérito sobre comportamentos eleitorais.
Os eleitores fantasma - pessoas já falecidas e emigrantes que mantêm cartão de eleitor, por exemplo - provocam um aumento artificial da taxa de abstenção e desvirtuam a distribuição de mandatos de deputados, proporcionais ao número de eleitores.
Com a última revisão da lei eleitoral, que criou um círculo único de 47 deputados, a questão da distribuição de mandatos não se coloca, mas sim o problema da abstenção.
"Todavia, o excesso de eleitores-fantasma terá um impacto significativo nas próximas eleições legislativas", tendo em conta a distribuição de mandatos com base nos inscritos nos cadernos eleitorais, alertam os dois sociólogos.
A estimativa final, círculo a círculo "aponta a Madeira como o caso mais preocupante, com 22,28 por cento de eleitores-fantasma, ou seja, um em cada cinco eleitores inscritos nos cadernos eleitorais madeirenses não existe", afirmam os sociólogos.
Outros casos graves são Vila Real (20,96 por cento) e Bragança (20,68 por cento), a que se seguem os círculos da Guarda (15,75 por cento), Viana do Castelo (14,62 por cento) Viseu (13,65 por cento) e Castelo Branco (12,78 por cento).
Beja, com 10,19 por cento, Portalegre, com 9,71 por cento, e Coimbra, com 9,19 por cento, ainda estão acima da média, segundo o estudo.
Os círculos eleitorais de Lisboa (8,83 por cento), Açores (8,71 por cento), Braga (7,9 por cento), Faro (7,71 por cento), Aveiro (7,28 por cento), Évora (7,01 por cento), Porto (5,66 por cento), Setúbal (5,6 por cento), Santarém (5,03 por cento) e Leiria (4,33 por cento) ficam todos abaixo da média nacional.
1 de Março de 2007 | 17:39
agência lusa
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