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A associação ambientalista Almargem denunciou, em comunicado, a alegada ameaça que representam os 51 hectares de milho transgénico semeados em Maio numa herdade perto de Silves. TEMAS: Ambiente Os ambientalistas algarvios anunciam mesmo que vão pedir ao Governo a aplicação de medidas de emergência, nomeadamente a destruição adequada do milho semeado.
Segundo a Almargem, a «luz verde» dada pelo Ministério da Agricultura aos 51 hectares de milho transgénico PR32R43 na Herdade da Lameira, é «uma atitude irresponsável e mesmo insultuosa para os algarvios», tanto mais que a Associação de Municípios já tinha declarado o Algarve como uma região livre de transgénicos, decisão reforçada por algumas Câmaras Municipais, nomeadamente a de Silves, onde se situa a sementeira em causa.
O milho, segundo a Almargem, é um derivado da variedade MON810, produtor de toxinas capazes de combater a praga da broca do milho.
Por isso, alerta a associação, «o principal perigo advém da disseminação de pólen pelo vento na altura da floração das espigas. Este pólen irá certamente contaminar os campos de milho vizinhos».
A Almargem considera ainda que poderá causar «graves problemas para a saúde das populações vizinhas», sublinhando que «a dispersão e inalação de pólen deste milho pode ser considerada uma potencial ameaça à sobrevivência das espécies naturais e do próprio homem».
Por tudo isso, a associação ambientalista anunciou que vai requerer ao Governo a «aplicação imediata das medidas de emergência consignadas no Artº 25º do Decreto-Lei nº 72/2003, de 10 de Abril, nomeadamente através da destruição adequada do foco de milho» na Herdade da Lameira.
O objectivo é «garantir o princípio da precaução previsto no mesmo diploma e a segurança e a saúde públicas das populações de Poço Barreto e localidades vizinhas, bem como a preservação do equilíbrio ambiental e da imagem da região».
Além dos eventuais danos ambientais e de saúde pública, «a presença de organismos geneticamente modificados no Algarve pode ter um impacto catastrófico sobre a principal actividade económica do Algarve, o turismo, com consequências sociais imprevisíveis», alerta a finalizar a Almargem.
O caso do milho transgénico da Herdade da Lameira já tinha motivado protestos por parte da Frente do Algarve Livre de Transgénicos, em Junho passado.
Foi, aliás, o agricultor biológico Jacinto Vieira, dirigente desse movimento, quem denunciou a sementeira.
«O holocausto transgénico não poupou o Algarve e instalou-se ao lado de uma zona turística, agrícola e residencial, ficando estas actividades e os seus residentes sujeitos a contaminação», disse então, à Agência Lusa, Jacinto Vieira.
Na mesma ocasião, o director regional de Agricultura do Algarve tinha garantido que não há perigo de contaminação de outras culturas porque as distâncias de segurança estão todas salvaguardadas.
«As pessoas podem estar descansadas, os técnicos já foram ao local fazer a primeira inspecção e não se detectou nenhuma irregularidade», afirmou Castelão Rodrigues, acrescentando que a fiscalização vai manter-se até à fase final do ciclo, em Setembro.
A lei que regula o cultivo de OGM em Portugal (17 variedades de milho) estabelece que os agricultores, entre outras obrigações, devem notificar a respectiva Direcção Regional de Agricultura (DRA), informando sobre a espécie que pretendem cultivar, a área e local de cultivo e as medidas de coexistência para evitar contaminações.
Estas medidas incluem distâncias mínimas de isolamento que variam entre os 200 e os 300 metros ou, em alternativa, bordaduras com 24 a 28 linhas de milho não transgénico ou sementeiras escalonadas para impedir a polinização de outras culturas adjacentes.
O presidente da Grande Área Metropolitana do Algarve (AMAL), por seu lado, manifestou-se «preocupado» com o cultivo de OGM, sublinhando, contudo, que não é possível uma região ou autarquia opor-se a legislação europeia.
«Em 2004, tomámos uma posição moral que não pode ser proibitiva porque há normas que defendem quem quer cultivar OGM», afirmou Macário Correia, acrescentando ser ainda necessário que a comunidade científica «clarifique algumas dúvidas».
15 de Agosto de 2007 | 10:00
barlavento
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