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Cerca de cem pessoas destruíram hoje cerca de um hectare de uma plantação de milho transgénico, na Herdade da Lameira, em Silves. A acção foi organizada por um movimento contra os Organismos Geneticamente Modificados (OGM), o recém-criado «Verde Eufémia», e contou com a presença de activistas portugueses e estrangeiros.
A destruição de parte da plantação de milho transgénico foi feita na presença do proprietário do terreno, que não conseguiu travar o grupo anti-OGM.
O dono do terreno, João Menezes, declarou à agência Lusa que sentiu «revolta» ao ver vandalizado o seu terreno de milho transgénico.
«É disto que os meus filhos e mulher vivem. É a única fonte de rendimento. Se ceifarem este milho, eu morro à fome. Alguém tem de pagar este prejuízo», disse o agricultor, garantindo que tudo está legal e que a sua propriedade foi vistoriada pelo Ministério da Agricultura.
A Lusa referia ainda que a associação ambientalista Almargem teria estado por detrás desta acção.
Mas o presidente da associação João Santos garantiu, em declarações ao «barlavento», que «a Almargem, enquanto tal, não esteve formalmente ligada a esta iniciativa».
«Podem ter lá estado alguns dos nossos associados. Mas nós, enquanto associação, não estivemos oficialmente envolvidos», acrescentou.
Apesar de considerar que esta não é a forma correcta de protestar, João Santos disse que «é natural que haja pessoas que achem que se tenha de optar por outras soluções» para impedir a introdução de OGM em Portugal.
Segundo João Santos, este acabou por ser «um acto simbólico», já que «a plantação tem 51 hectares».
Na Herdade da Lameira, apenas a intervenção da GNR impediu que a destruição atingisse uma área maior.
Ainda segundo a Lusa, os activistas tinham as caras tapadas com panos para, segundo eles, se protegerem do polén transgénico.
Após terem saído do terreno, cerca das 13 horas, marcharam em direcção à aldeia de Poço Barreto, para levar a cabo uma acção de sensibilização da população contra os transgénicos, empunhando cartazes em que se lia «Transgénicos perigo contaminação» e «Algarve sem transgénicos».
A GNR escoltou o grupo a partir do momento em que o expulsou da exploração agrícola.
Apesar de ter havido alguns populares e agricultores locais que se juntaram à destruição do campo de milho transgénico, as opiniões dividiam-se quanto à legitimidade da iniciativa.
O electricista Bruno Martins, um popular que assistiu a esta acção, disse à Lusa que é «errado defender assim uma causa».
«Isto não é para ser discutido na praça pública. Tem de ser no ministério da Agricultura e no Governo. É uma acção errada. Nem sabem defender uma causa, porque vêm para aqui fumar e com telemóveis», disse.
Herdade da Lameira pode ter variedade perigosa de milho transgénico
A variedade de milho transgénico que está plantada na Herdade da Lameira, em Silves, pode ser prejudicial para os seres humanos.
O tipo de milho aqui utilizado será da mesma variedade que um outro utilizado numa plantação nas Filipinas, que terá causado o aparecimento de diversas doenças em habitantes de aldeias vizinhas à exploração.
O alerta para esta situação foi dado pela Frente do Algarve Livre de Transgénicos e teve eco numa tomada de posição pública recente da associação ambientalista Almargem.
A fonte de ambas as organizações é um livro editado recentemente por Jeffrey Smith, intitulado «Roleta Genética».
Segundo o presidente da Almargem João Santos, a lei que regula a plantação de OMG em Portugal «prevê que haja medidas de emergência sempre que surjam dados novos».
Para o ambientalista, a situação nas Filipinas, da qual já conhecia relatos antes do lançamento do livro mencionado, devia ter levado o Estado a «ter em conta o princípio da precaução».
Até porque, nas Filipinas, a área cultivada descrita «é menor» do que a da Herdade das Lameiras.
Para João Santos, a solução para este problema é simples. «Devia-se pegar na lei e, pura e simplesmente, remover o milho e queimá-lo, como um resíduo tóxico», afirmou.
Em declarações à agência Lusa, o engenheiro técnico responsável pela exploração de milho trangénicos da Herdade da Lameira Luís Grifo garantiu que a seara foi vistoriada pela Direcção-Geral da Protecção das Culturas.
«Isto só se sabe que é milho transgénico que está aqui plantado porque foram cumpridas todas as regras de notificações e avisados os vizinhos», disse.
O engenheiro referiu que Portugal «produz milho apenas para três meses por ano», assegurando que no resto do ano, o milho é importado e 90 por cento é transgénico.
17 de Agosto de 2007 | 16:00
hugo rodrigues com Lusa
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