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O Instituto Português da Juventude (IPJ) negou hoje ter apoiado o encontro internacional Ecotopia, que terminou domingo em Aljezur, onde participaram alguns dos jovens que destruíram um hectare de milho transgénico em Silves. TEMAS: Ambiente Em comunicado, o IPJ explica que apenas publicou no seu site uma notícia sobre o encontro "a pedido" da associação ambientalista GAIA, uma associação juvenil inscrita no registo nacional do instituto, especificando que a publicação desse tipo de informações é "uma prática corrente".
Na sua edição de hoje, o Diário de Notícias, num texto com o título "Estado apoia encontro de activistas na origem do ataque de milho", refere que o IPJ "apoiou" o encontro Ecotopia.
Referindo-se a esta notícia, o presidente do PSD, Marques Mendes, considerou que poderão existir "indícios de que o Governo acarinhou ou patrocinou uma iniciativa que acabou em violência".
"É por isso abusivo e falso que se afirme que o Instituto Português da Juventude apoiou o encontro Ecotopia, sendo ainda inaceitável que seja o IPJ associado aos incidentes ocorridos em Silves, a que o IPJ é completamente alheio", refere o instituto em comunicado.
O Ecotopia, um acampamento dedicado ao ambientalismo e justiça social, decorreu entre 04 e 19 de Agosto em Aljezur, tendo cerca de 500 activistas de todo o mundo participado na iniciativa.
O encontro internacional, que pela primeira vez se realizou em Portugal, foi organizado pelo Grupo de Acção e Intervenção ambiental (GAIA) e pela Associação Juventude Europeia pela Acção (EYFA), sedeada em Amesterdão, Holanda.
Para o GAIA, "é natural que alguns participantes na acção e no movimento Verde Eufémia tenham participado no Ecotopia", mas o grupo ambientalista considera, no entanto, que "não é razoável constituir uma ligação" entre o encontro e a iniciativa que o movimento levou a cabo em Silves.
"São completamente desprovidas de sentido as tentativas de questionar e acusar de cumplicidade com a acção as entidades públicas que apoiam uma associação que tem vindo a desenvolver iniciativas de cariz ambiental e social, pelo bem público, há mais de 11 anos", sublinhou a associação em comunicado.
O GAIA esclareceu, no entanto, que "este ano o IPJ não forneceu qualquer apoio ao GAIA, ou a qualquer outra associação juvenil, apesar de ter vindo a fazê-lo em anos anteriores e com resultados que o GAIA considera muito positivos. Isso prende-se com o facto de os prazos de candidaturas se terem atrasado de forma absolutamente inadmissível, o que é revelador da falta de atenção dada às iniciativas e à participação activa dos jovens por parte das entidades competentes".
Comentando a acção do movimento Verde Eufémia, o GAIA diz apoiar a iniciativa, considerando o "uso de desobediência civil e acção directa não violenta" como "uma estratégia válida na luta pelos direitos sociais e ambientais da população".
Apesar de as actividades deste grupo ambientalista se centrarem em programas educacionais e "acções criativas", o GAIA afirma esperar que esta acção "sirva para provocar o debate social sobre os organismos geneticamente modificados de forma a que as ameaças inerentes à sua utilização recebam a atenção devida".
Também o porta-voz do Verde Eufémia, Gualter Baptista, admitiu, em declarações à Lusa, que "é possível" que alguns participantes na acção de sexta-feira tenham "vindo do Ecotopia", já que o movimento "lançou um apelo à participação" das pessoas na iniciativa.
20 de Agosto de 2007 | 22:39
agência lusa
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