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A variedade de milho transgénico que está plantada na Herdade da Lameira, em Silves, pode ser prejudicial para os seres humanos. O alerta para esta situação foi dado pela Frente do Algarve Livre de Transgénicos e teve eco numa tomada de posição pública recente da associação ambientalista Almargem. O tipo de milho aqui utilizado será da mesma variedade de um outro utilizado numa plantação nas Filipinas, que terá causado o aparecimento de diversas doenças em habitantes de aldeias vizinhas à exploração.
A fonte de ambas as organizações é um livro editado recentemente por Jeffrey Smith, intitulado «Roleta Genética».
Segundo o presidente da Almargem João Santos, a lei que regula a plantação de OMG em Portugal «prevê que haja medidas de emergência sempre que surjam dados novos».
Para o ambientalista, a situação nas Filipinas, da qual já conhecia relatos antes do lançamento do livro mencionado, devia ter levado o Estado a «ter em conta o princípio da precaução». Até porque, nas Filipinas, a área cultivada descrita «é menor» do que a da Herdade das Lameiras.
Um cuidado que o director regional de Agricultura Castelão Rodrigues garantiu que as autoridades responsáveis estão a ter. O governo criou uma comissão para acompanhar a introdução de transgénicos em Portugal, na qual participam diversas associações do sector.
A Agrobio-Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, a Ansene-Associação Nacional Produtores Comerciantes de Sementes e a Anpromis-Associação nacional de Produtores de Milho e Sogro têm estado no terreno juntamente com técnicos do Ministério da Agricultura, garantiu Castelão Rodrigues.
Este grupo está a fazer o acompanhamento de plantações de milho transgénico, ao longo dos «próximos três anos», para averiguar qual a taxa de contaminação dos campos que circundam os de Organismos Geneticamente Modificados (OGM).
«Em Fevereiro deste ano, foi lançado o primeiro relatório da comissão. Os resultados laboratoriais determinaram que a presença de OGM nas culturas naturais era inferior a 0,05 por cento, no pior caso. Foram retiradas 18 amostras, 10 das quais não estavam contaminadas», revelou Castelão Rodrigues.
No que toca à exploração da Herdade da Lameira, o agricultor até fez mais do que a lei determinava. «Com uma exploração de 50 hectares apenas tinha de plantar uma área de protecção com 20 por cento da área total. Lá estão plantados 20 hectares de milho natural», garantiu.
Ainda assim, João Santos tem uma opinião formada quanto ao destino a dar ao milho plantado em Silves.
«Devia-se pegar na lei e, pura e simplesmente, remover o milho e queimá-lo, como um resíduo tóxico», afirmou.
24 de Agosto de 2007 | 08:34
hugo rodrigues
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