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Política

Comissão Política Distrital do PSD apelou à recandidatura de Menezes, com uma abstenção

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d.r. Ver Fotos »
José Pedro Soares

Mendes Bota sempre esteve com Luís Filipe Menezes, daí a naturalidade com que pediu à Comissão a que preside no Algarve que faça um apelo para a sua recandidatura

A Concelhia de Silves do PSD absteve-se na votação, feita na Comissão Política Distrital alargada, de uma moção que apelava à recandidatura de Luís Filipe Menezes à presidência do partido. O apelo foi aprovado com 23 votos a favor, uma abstenção, não estando presente na votação final, também, a Concelhia de Tavira, que saiu antes dos trabalhos estarem concluídos.

José Pedro Soares, líder da Concelhia de Silves, em declarações ao «barlavento», justificou o seu voto por entender que as estruturas dirigentes do partido, enquanto órgãos colegiais, «no âmbito dos novos estatutos, não têm o direito de influenciar ou dar uma directiva de voto aos militantes».

A Comissão Política deve-se abster dessa posição, perfilhando José Pedro Soares a teoria de que cada militante deve ser livre de tomar a sua opção de voto, face às candidaturas que se apresentarem a sufrágio no PSD.

A Comissão Política Distrital entendeu, por sua vez, que o «projecto aprovado pelos militantes do partido em 27 de Setembro de 2007 está válido e actual, e tem de ser cumprido e implementado, sendo natural que essa sequência deva ser assumida pelo seu autor, ou seja, Luís Filipe Menezes».

No comunicado da Comissão Política Distrital, dando um sinal de abertura e falando em nome dos social-democratas algarvios, é dito que estes «consideram que as personalidades do partido, que nos últimos seis meses se têm notabilizado em exprimir as suas diferenças opinativas, têm a obrigação de protagonizar candidaturas alternativas à liderança, tendo com objectivo sujeitar-se ao veredicto democrático dos militantes do PSD».

O líder do PSD/Algarve Mendes Bota, em declarações à Lusa, considerou «inédita» na história do partido a violência da oposição interna dirigida a Menezes, iniciada segundos depois da sua eleição, há seis meses. «Isto não tem sentido nenhum. Pessoas que não tiveram coragem de se assumir como alternativa no momento certo, assim que há uma eleição, no dia seguinte estão a assumir-se como alternativa», referiu.

Macário Correia, presidente da Câmara de Tavira e ex-porta-voz da candidatura de Marques Mendes, considerou, por seu lado, que a demissão de Menezes não passa de «um golpe de teatro» que tem por objectivo último a sua reeleição. Só assim se entende o prazo muito curto para realizar as eleições (24 de Maio), o «que pode dificultar outra qualquer solução», acrescentou.

«Durante alguns meses, ninguém fez comentários e foram pessoas da equipa de Luís Filipe Menezes que começaram a fazer comentários sobre a própria liderança», disse, exemplificando com os casos de Ângelo Correia, Mota Amaral e outros. Garantiu ainda Macário Correia, que os «opositores da liderança de Menezes fizeram vinte vezes menos comentários do que ele quando Marques Mendes era líder, com conferências de imprensa de manhã e à tarde».

24 de Abril de 2008 | 22:04
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