|
Os professores das escolas do concelho de Silves marcharam pelas muitas ruas da cidade, esta manhã, entre as 10 e as 11 horas, entoando frases que demonstram a sua revolta quanto à actual política de avaliação dos docentes, imposta pelo Ministério da Educação. «Milu, Milu, preenche as fichas tu!» e «Está na hora da ministra ir embora» foram apenas alguns dos gritos de revolta, que despertaram a curiosidade de quem estava nas lojas e casas ao longo das ruas percorridas pelos docentes.
Os cerca de 80 professores das freguesias de Silves, Armação de Pêra e Messines, que aderiram à marcha, caminharam desde o jardim em frente à Escola Secundária da cidade até à Câmara Municipal, enquanto entregavam comunicados à população, em especial aos encarregados de educação, onde apresentavam as suas ideias e a sua posição sobre o actual modelo de avaliação.
Até os agentes da GNR que controlavam o trânsito, para que a marcha decorresse sem incidentes, tiveram direito a um desses documentos, porque «alguns também são pais», defendia uma das professoras.
Pedro Santos, um dos participantes na manifestação, afirmou ao barlavento.online que os «professores que estão hoje aqui, são aqueles que menos poderiam estar preocupados com a avaliação».
No entanto, todos estão revoltados, principalmente, porque os critérios de avaliação discriminam e dividem a classe dos docentes.
«Muitos dos que estão aqui, são aqueles que viram na ministra da Educação um sinal de esperança, quando esta tomou a pasta. Hoje sentem-se quase traídos», porque acreditaram nela, explicou.
No final, sete docentes, em representação do grupo, interromperam a reunião do executivo municipal, para entregar um documento que, Isabel Soares, presidente da Câmara de Silves e ex-directora da Escola Secundária local, garantiu «ir fazer chegar ao Ministério da Educação».
«Não dispo a camisola. Também sou professora e, tal como os meus colegas, estou preocupada com o futuro» desta situação, acrescentou a autarca.
Depois da entrega do documento elaborado pelos professores, também Manuel Castelo Ramos, vereador eleito pelo CDU e docente, apresentou uma moção, onde expressa a mesma posição que os professores do concelho.
A moção foi aprovada, apenas com um voto de abstenção da vereadora socialista Lizete Romão, que na sua declaração de voto explicou não concordar quando é dito que o governo está de «olhos e ouvidos fechados».
Veja todas as fotos
3 de Dezembro de 2008 | 13:14
ana sofia varela
|