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As imagens chocantes continuam a dominar
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A maior exposição do mundo de fotojornalismo teve estreia nacional em Portimão e as suas fotografias estão à vista de todos até ao final do mês. Imagens chocantes continuam a dominar TEMAS: Capital da Cultura Pela primeira vez na história da maior competição do mundo de fotojornalismo, a World Press Photo (WPP), as fotografias a concurso foram todas tiradas com máquinas digitais. Esta é a grande novidade da competição, observada ao «barlavento» pela comissária holandesa da WPP Elsbeth Shouten, durante a estreia nacional da exposição, na Zona Ribeirinha de Portimão, na passada semana.
No total, foram analisadas 69190 mil fotografias, tiradas por 4266 fotógrafos de 123 países, números recorde em todos os aspectos. Entre os milhares de fotojornalistas, estiveram a concurso 41 portugueses, mas nenhum deles viu as suas fotografias premiadas. Todo o julgamento foi digital.
Os prémios foram atribuídos a 59 fotógrafos, de 24 nacionalidades, entre 10 categorias temáticas diferentes. Foram premiadas 197 imagens, entre as quais 141 são a cores. São estas imagens que fazem parte da exposição que está à vista de todos os amantes da fotografia e não só.
O grande vencedor foi o indiano Arko Datta, da Agência Reuters, com uma fotografia tirada em Culladore, na província indiana de Tamil Nadu. A imagem representa a impotência humana face às catástrofes naturais, neste caso, o maremoto que atingiu o Sudoeste asiático, em Dezembro de 2004 (ver entrevista).
Para lá da primeira distinção, o júri convidado pela Fundação World Press - organização sem fins lucrativos com sede em Amesterdão, na Holanda – atribuiu prémios em dez categorias, cada uma das quais dividida nas subcategorias de reportagem e fotografia singular. Além de Arko Datta, foram premiados dois outros profissionais da Agência Reuters. Os fotógrafos da Time Magazine acumularam quatro distinções e os da Associated Press outras duas. Os restantes premiados são profissionais de jornais e revistas de vários cantos do mundo.
Este ano, as fotografias chocantes voltam a estar em destaque e representam quase metade do leque de imagens premiadas pelos júris da WPP. Esta característica é já uma marca da exposição, mas alguns dos visitantes que passaram pela abertura da exposição, diziam que «podia ter escolhido fotografias menos trágicas».
Enquanto uns observavam as imagens deliciados, outros fechavam os olhos nas imagens mais chocantes.
Para justificar a escolha de imagens menos bonitas, por parte da WPP, o vencedor da competição de 2004 apresentou ao «barlavento» a sua teoria sobre esta questão. Segundo Arko Datta, «o fotojornalista serve, também, para chamar a atenção de coisas que estão mal e precisam de ser mudadas através da acção do homem». Os seja, «as fotografias trágicas e dramáticas ajudam a mostrar aquilo que está mal e que precisa de alteração». Seguindo a teoria do fotógrafo indiano, «os fotógrafos que vão aos sítios de tragédia são o link para um problema que precisa de ser resolvido».
Arko Datta vai mais longe e diz que «a miséria da vida é muito mais relevante do que a felicidade das pessoas, a nível fotográfico, porque os felizes não precisam de ser vistos, já são felizes e não precisam de mudança». Segundo Datta, «as coisas negativas é que precisam de ser alteradas».
Apesar das imagens da WPP não trazerem felicidade, em 2003, passaram pela exposição em Portimão cerca de seis mil pessoas. No ano passado, o número de visitantes subiu para 15 mil e este ano tudo indica que cresça ainda mais.
Esta é a 48ª edição da competição, apesar da Fundação World Press já contar com 50 anos de actividade. De acordo com a comissária Elsbeth Shouten, «a organização vai continua a desenvolver a sua missão, encorajando todos os fotógrafos de imprensa profissionais a mostrarem a sua visão do mundo, através dos seus trabalhos».
Além de uma competição, Elsbeth Shouten lembra que a WPP serve também para «promover a troca livre de informação sobre o que aconteceu no mundo durante um ano». A responsável referiu que «a World Press Photo pretende continuar o seu trabalho, pelo menos, mais 50 anos».
14 de Julho de 2005 | 01:58
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