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Apesar de, em muitos casos, o processo de expropriação de terrenos para a construção da segunda fase da Variante Norte a Faro ainda nem sequer ter começado, a obra vai estar concluída dentro de 15 meses. Esta é a garantia que o presidente da Câmara de Faro José Apolinário diz ter recebido do consórcio responsável pela obra, no dia em que a primeira pedra da intervenção foi lançada.
Uma vez que esta é, ao mesmo tempo, a primeira obra a ser lançada da intervenção que irá requalificar a Estrada Nacional 125, a cerimónia contou com a presença do primeiro-ministro José Sócrates, bem como do ministro das Obras Públicas, entre outros membros do Governo. Um aparato que não evitou críticas de diversos quadrantes.
Tanto a candidatura independente à autarquia farense «Com Faro no Coração», como a Comissão Política Distrital do PSD/Algarve tomaram uma posição pública sobre este acto.
No primeiro caso, as críticas foram essencialmente dirigidas a José Apolinário, enquanto os social-democratas algarvios apontaram baterias ao Governo PS.
Numa perspectiva mais local, o movimento encabeçado por José Vitorino, ex-presidente da Câmara de Faro, alega que, ao longo dos últimos quatro anos, houve «quilómetros de propaganda e zero metros de estrada» no que toca à Variante Norte de Faro.
O movimento referiu que a cerimónia que ocorreu na passada sexta-feira foi uma continuação da mesma estratégia, já que há «muitos proprietários que ainda nem sequer foram contactados».
Já José Apolinário lembrou ao «barlavento», à margem do lançamento da primeira pedra da obra, que o processo de expropriações «é da responsabilidade da empresa concessionária».
«Este arranque da obra vai desenvolver-se em terrenos municipais, enquanto o concessionário negoceia com os proprietários a aquisição dos terrenos. Caso não haja acordo, a partir do momento em que chegue a declaração de utilidade pública, poderá avançar para expropriações», disse.
O autarca socialista frisou, por outro lado, que esta é uma obra fundamental para Faro, não só porque irá «tirar cerca de 20 mil carros do centro da cidade por dia» e melhorará as acessibilidades, em geral, mas também porque irá ser «uma boa alavanca para captar mais investimento privado para o concelho».
Por seu lado, a Comissão Política Distrital do PSD/Algarve fala de «política de ilusionismo e de espectáculo eleitoralista», que alegam ser aquilo que caracteriza a relação do governo socialista com o Algarve.
Criticando «a dimensão da plataforma giratória de ministros e de secretários de Estado que diariamente aterram no Algarve», recordam que é a primeira vez que um Governo «não executa nenhuma obra verdadeiramente significativa e estruturante» para a região, no decorrer de um mandato.
Acusam ainda o Governo PS de «partidarização despudorada da acção governativa», uma vez que, alegam, boa parte dos grandes investimentos previstos para o Algarve beneficiam autarquias PS. «O governo socialista deixa uma pesada herança na economia regional», resumem.
José Sócrates, por seu lado, defende que o investimento na EN 125 é em toda a região e irá criar «1500 postos de trabalho» no Algarve, naquilo que considera uma medida de combate à crise.
Também frisou a abertura do curso de medicina na Universidade do Algarve que, na sua perspectiva, irá abrir caminho para a resolução do problema de falta de médicos na região algarvia.
4 de Setembro de 2009 | 14:29
hugo rodrigues
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