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O Museu Municipal de Faro recebe a partir de dia 23 de Outubro a exposição «MGC - Moderno ao Sul», uma retrospectiva das obras do arquitecto algarvio Manuel Gomes da Costa (MGC), um dos pioneiros do Modernismo no Algarve, nos anos 50 do século XX. A mostra, organizada pela Ordem dos Arquitectos, alusiva à obra do arquitecto, natural de Vila Real de Santo António, é inaugurada no dia 23 de Outubro, às 18 horas, no Museu Municipal de Faro e estará patente até 29 de Novembro.
Manuel Gomes da Costa é o responsável por projectos como a ampliação do Colégio de Nossa Senhora do Alto em Faro, a Capela de Santa Luzia, a Cooperativa Agrícola de Santa Catarina da Fonte do Bispo e inúmeros edifícios de habitação unifamiliar e colectiva em todo o Algarve.
Com uma carreira de mais de cinco décadas de trabalho árduo e solitário, o arquitecto foi inspirado a início pela arquitectura moderna Internacional, especialmente a brasileira como a de Óscar Niemeyer, mas foi evoluindo até à definição de um estilo pessoal e livre que marcou de forma indelével as principais cidades do Algarve.
A exposição reúne uma selecção de 38 projectos do autor e quatro maquetes de obras suas. Durante a exposição, será igualmente exibido um filme-documentário sobre a obra e vida do arquitecto, actualmente com 88 anos.
«Em torno da exposição estão programados eventos paralelos, entre conferências, tertúlias e visitas a obras de Manuel Gomes da Costa, um dos principais responsáveis pela introdução da arquitectura moderna no Algarve», explicam os responsáveis da organização.
«A realização da mostra é também uma forma de agilizar a catalogação, preservação e assimilação consciente na memória colectiva do património deste autor, que seguramente integra o Algarve na riquíssima agenda do Moderno Português», acrescentam.
A exposição segue em Dezembro para Vila Real de Santo António, cidade de onde é natural o arquitecto, podendo depois estender-se a outras cidades algarvias e do País.
Sobre o autor
É no ano de 1953 que Manuel Gomes da Costa retorna ao Algarve depois dos estudos em Arquitectura nas Belas Artes do Porto. Volta com uma bagagem teórica repleta de novos valores linguísticos, uma nova Arquitectura que rompia com os padrões «Português Suave» do tempo do regime.
Fácil de reconhecer, o «estilo» Gomes da Costa evoluiu ao longo do tempo, desde uma linguagem próxima da «Escola do Porto» e dos mestres Brasileiros como Niemeyer, Reidy ou Vilanova Artigas (nos anos 50 e 60) para um estilo cada vez mais pessoal e livre no fim da sua carreira como Arquitecto (2002).
Em qualquer dos casos, em qualquer dos tempos, Gomes da Costa sempre procurou uma Arquitectura informada que reflectisse com responsabilidade os valores do seu tempo, «leve, solta, democrática, humana, adaptada ao lugar e ao clima», ao serviço e ao alcance do maior número.
Personagem singular, é talvez o maior representante da geração Moderna no Algarve, pela excepcional qualidade e quantidade de trabalho, numa região que por demasiado tempo se manteve fechada, cristalizada em dogmas tradicionalistas ou na cada vez mais florescente produção burguesa desenraizada.
A persistência e coerência do seu trabalho desde o princípio da sua carreira representam esse «espírito de missão», de equipar a sociedade para o futuro com os meios técnicos e linguísticos da sua época.
Grande parte destes edifícios do Período Moderno, da autoria de Gomes da Costa, são testemunhos formais da realidade do séc. XX.
Muitas obras foram já demolidas, arrasadas ou completamente deturpadas, revelando uma total inconsciência da importância deste Património – porque é possível através dele estabelecer novas conjunturas, revendo-se a continuidade da História através dessa lógica de análise do acontecimento individual.
Leia no semanário «barlavento» desta semana um artigo sobre a vida e a obra do arquitecto Gomes da Costa, contados na primeira pessoa
16 de Outubro de 2009 | 14:56
barlavento
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