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Política

Isabel Soares e Rosa Palma negam existência de «acordo» na Câmara de Silves

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elisabete rodrigues Ver Fotos »
Câmara Municipal de Silves

O comunicado do PS de Silves, que denunciava um alegado acordo entre PSD e CDU, lançou a polémica entre partidos, mas também no seio da concelhia socialista. Documento terá sido uma das razões que levaram Lisete Romão a demitir-se da Comissão do PS de Silves.

A presidente da Câmara de Silves Isabel Soares (PSD) e a nova vereadora da CDU Rosa Palma negaram, em declarações ao «barlavento», a existência de qualquer «acordo» entre estas duas forças políticas, contrariando assim o que tinha sido alegado pela Comissão Política do PS silvense, em comunicado, na semana passada.

«Não há qualquer acordo entre a vereadora da CDU e o executivo do PSD. Isso foi notório na reunião passada, onde a vereadora tomou as suas próprias decisões», assegurou Isabel Soares.

Por sua vez, Rosa Palma garantiu que «não há qualquer tipo de acordo, nem nunca houve uma conversa nesse sentido».

A acusação surgiu através de um comunicado enviado pela Comissão Política do Partido Socialista de Silves, no início da semana passada.

O documento denunciava aquilo que os socialistas consideravam ser «um acordo envergonhado estabelecido pela CDU e o PSD que, sendo legítimo, é contra-natura se se considerar a origem ideológica de cada um dos partidos».

É que o PSD perdeu a maioria no executivo nas eleições de 11 de Outubro, e perdeu um dos seus vereadores para o PS. Assim, os social-democratas ficaram com três lugares no executivo, incluindo a presidência, o PS com igual número e a CDU elegeu Rosa Palma como vereadora.

A existir um acordo, para os socialistas, isso poderia significar que uma tal coligação pretendia «branquear a gestão do PSD ou dissimular a sua verdadeira natureza para obter ganhos políticos» ou para o executivo social-democrata poder continuar a «exercer um poder pouco transparente».

A vereadora comunista Rosa Palma, que nega a existência de tal acordo, afirmou ao «barlavento» que, «se houver soluções para o bem da população apresentadas pelo lado do PS, tudo bem, e o mesmo se passa para o lado do PSD. É igual e não interessa a cor política».

A verdade é que, contactada pelo «barlavento», a vereadora socialista Lisete Romão revelou que as razões que levaram o seu partido a avançar com a denúncia de um alegado acordo não tinha a ver com a Câmara Municipal, mas antes com as freguesias, embora isso não se pudesse depreender da forma como o comunicado estava redigido.

Segundo Lisete Romão, o PS teve «uma grande votação nas Assembleias de Freguesia de São Bartolomeu de Messines, Tunes e Silves, mas não ficou na presidência de nenhum desses órgãos».

Por outro lado, a denúncia também está ligada ao facto de, na Assembleia Municipal, ter sido eleita Maria José Grade (PSD) para presidente, em vez do candidato do PS.

Durante a votação, que decorreu na primeira reunião daquele órgão, a CDU absteve-se, o que facilitou a eleição da candidata social-democrata. Na votação, também o Bloco de Esquerda se absteve.

O dito comunicado não foi, contudo, apenas polémico para os outros partidos, gerando também controvérsia dentro da própria Comissão Concelhia do PS de Silves. Para Lisete Romão, o documento foi mesmo a gota de água.

A vereadora afirmou ao «barlavento» que se absteve durante a votação do comunicado e que demitiria da Concelhia de Silves, o que já concretizou.

«Por questões políticas e pessoais, vou entregar a minha demissão da comissão do PS de Silves a Miguel Freitas», assegurou ao «barlavento» Lisete Romão, na sexta-feira, antes de se dirigir para a reunião da Comissão Política do PS Algarve.

A vereadora garantiu, porém, que continuará a ser militante activa e que se manterá no cargo de vereadora.

16 de Novembro de 2009 | 14:56
ana sofia varela

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